reencarnação, nazistas, bozo

Uma vez ao procurar referencias para o meu livro “Eu fui um nazista na reencarnação passada” encontrei na internet um chat no yahoo com pessoas que se lembravam de serem nazistas, que agora reencarnadas no Brasil diziam que sentiam saudades, que queriam o III Reich, que perderam por pouco, a pureza da raça, mas não conseguiam voltar para a Alemanha, tentavam ter um passaporte europeu, mas “nunca dava certo.” Uma disse que não conseguia nem entrar para a polícia, seu sonho, porque sempre “dava um problema” quando ia prestar a prova. Outras amargavam o que fizeram, dizendo que tinham síndrome do pânico, depressão, sentiam muito remorso, que estavam no Brasil como uma expiação de suas ações no passado, elas sentiam-se exiladas aqui. Hoje vendo os seguidores do Bozo acredito que essa identificação de alguns (não TODOS) contumaz possa ser uma reminiscência e uma vontade de voltar ao passado nazista, agora de judeu passa para homossexuais, negros, mulheres, a intolerância; a pregação de que a arma vai resolver seus problemas, o extermínio: o discurso não vai muito longe do passado.

https://www.amazon.com.br/s?k=eu+fui+um+soldado+nazista+na+reencarna%C3%A7%C3%A3o+passada&__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&ref=nb_sb_noss

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8 comentários em “reencarnação, nazistas, bozo

  1. Enquanto português, e, por isso mesmo, com olho externo sobre o Brasil, penso que as causas sobre a ascensão de Bolsonaro são as seguintes:

    1. Problema estrutural de educação.
    Têm uma taxa de analfabetismo que julgo rondar os 7,2% segundo as últimas notícias que li sobre o assunto. Depois, e perdoem-me os brasileiros, a qualidade do ensino é péssima. Qualquer tipo que tenha frequentado uma escola portuguesa (cujo ensino público não é assim tão bom…) chega ao Brasil e se destaca (mesmo o aluno com mais dificuldades). Mais, e apenas a título de exemplo, encontrar um brasileiro que saiba falar inglês é uma raridade e a História de Portugal (que tem a sua influência, para o bem e para o mal, na História do Brasil) é algo bastante brumoso para a maioria do povo brasileiro.

    2. A Presidenta Dilma
    Mais preocupada em ser chamada de Presidenta (uma tremenda parvoíce, sendo que presidente é já só por si um étimo sem género e não há nenhum presidentO na língua portuguesa…) do que noutro assunto qualquer, a dona Dilma foi eleita pelo povo brasileiro, mas nunca percebeu que já não se encontrava ao serviço de Lula da Silva e nunca percebeu que a figura do Presidente do Brasil nunca poderia, em momento algum, pôr-se a tentar proteger um cidadão investigado por crimes de corrupção. Percebendo de antemão alguma frustração por algum abuso das entidades judiciárias, tentar fazer regressar Lula ao governo foi, mais que um erro crasso, um atentado à transparência política e um convite claro ao impeachment que sofreu.

    3. Lula da Silva
    Talvez por teimosia ou talvez por falta de melhor aconselhamento, Lula da Silva arrastou o PT para a fossa, não percebendo a importância do seu partido para a estabilidade política do Brasil. Mais, a falta de sentido de estado foi tão grande que em vez de se afastar da sua afilhada Dilma, do PT e do governo, ainda tentou voltar a concorrer às eleições, fraturando assim tanto o eleitorado como dando a entender que no PT não havia ninguém capaz para lutar por ser presidente.

    4. Partido dos Trabalhadores
    Não, nem todas as pessoas que votam em Bolsonaro são fascistas ou misóginas; pois algumas delas votaram em Lula e em Dilma. O PT, e suas bases, pagam agora por não terem criado um aparelho profissional, competentes e desgarrado de personalidades. A idolatria incondicional que prestaram a Lula, querendo colocar em causa o próprio aparelho judiciário, foi mergulhar na merda e condicionar a chafurdar nela. Mais, qual era o programa de governo de Hadad? Os projectos? As ideias? Resposta inacreditável: indulto a Lula.

    5. Direita Brasileira
    A Oposição está sempre à procura de poder, dê por onde der, e conforme os métodos que estiverem à sua disposição. Socorrendo-se dos valores conservadores de Moro e restante companhia judiciária, fizeram um aproveitamento político e, passe a redundância, baixo. Claro que não contavam com a ascensão de Bolsonaro, mas talvez lhes sirva de lição.

    6. Aparelho Judiciário
    Não colocando de parte a hipótese de Lula ter sido efectivamente corrompido, o que está em causa é a entrega de uma casa (e outros valores) a Lula como contrapartida deste, enquanto esteve no poder, os favorecer ilicitamente. Contudo, ressoa (nunca consultei o processo) a inexistência de provas…
    Mais, se fosse em Portugal que Moro (sabe-se agora apoiante de Bolsonaro) aparecesse durante uma campanha política revelando documentos em segredo de justiça via-se logo a contas com um processo disciplinar. No Brasil aplaudem o seu “heroísmo”…

    7. Comunicação Social
    Não é por a comunicação social se ter tornado um negócio que os deveres de prestação de informação isenta e precisa, bem como os deveres de prestar programação de qualidade (e não apenas futebol e big brothers e companhia…), se devem descurar. A título de exemplo, qualquer jurista português se assusta com aqueles programas brasileiros em que o jornalista entrevista um tipo detido e algemado e lhe pergunta “Porque você matou a sua mãe?”. Esse tipo de programas é um atropelo aos direitos fundamentais de qualquer cidadão, mesmo dos cidadãos mais torpes e, no entanto, é um tipo de programas que continua a existir. Desculpem-me os consumidores desses programas, mas esse tipo de programação emburrece as pessoas e torna-as mesquinhas e de visão curta.

    8. Insegurança
    O medo destrói regimes e a promessa de segurança ganha votos. É tão simples como isso. O Brasil teve mais assassinatos este ano num ano do que a União Europeia e os Estados Unidos da América juntos. Porque diabos o PT e os outros não tomaram nenhuma medida contra esta insegurança? Por amor de Deus, não custa a perceber isso, era só ver a Tropa de Elite (1 e 2)!

    9. Igreja e bispos e padres de merda
    “A César o que é de César, à Igreja o que é da Igreja.” Disse Jesus Cristo.
    Contudo, os bispos e parolos religiosos querem mais que o Reino de Deus! Querem poder! E, por isso, toca de aproveitar a necessidade de orientação espiritual das “ovelhas” e apoiar Bolsonaro…

    10. Povo
    Ao contrário do que alguma comunicação social parece querer fazer crer, havia escolhas políticas para todos os gostos. Não existiam apenas PT (nem nomeio o boneco que concorreu por este partido) e Bolsnaro. Havia mais! Muito mais! Havia conservadores, liberais, socialistas, comunistas, centro-esquerda, centro-direita…. uma lista sem fim! Mas as pessoas preferiram um cowboy que respira fascismo por tudo quanto é poro. Logo, não adianta muito queixar-se quando começar a existir tiro por todo o lado e prisões sem ordens judiciais!

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    1. Muito boa análise. Principalmente, a educação falta muito a alcançar, é o principal foco que precisa melhorar o quanto antes e a cultura também, além dos outros pontos que você levantou. Por outro lado, o Brasil ainda é um país-adolescente. Temos que reestruturá-lo em toda a sua base, ou estruturar, talvez nunca houve uma estruturação visto que foi colônia por muito tempo, explorada até a tampa. O Brasil teve que pagar até a década de 70 pela sua independência às grandes potências, incluindo Estados Unidos, Inglaterra, França, entre outros. Grande parte do ouro da realeza britânica é do Brasil. Não vou nem citar o que Portugal fez com o Brasil em termos de exploração. E se eles devolvessem toda a nossa riqueza explorada? Claro que isso não vai acontecer, pois país europeu tem sempre razão, tá certo vir matar nossos índios, levar nosso ouro, quem é fraco tem que obedecer e não reclamar. Os objetos e artefatos da maioria dos museus europeus foram “pegos” de outros países. Até hoje o Egito pede que devolvam o rosto de Nefertite para Alemanha, mas essa se nega. E foi na época do Nazismo, ou seja, foi roubado. São países ricos também devido aos países que hoje são pobres. Evolução econômica não quer dizer evolução moral. Também acho que tinha que ser feito justiça com os países que estão tentando agora consolidar a sua democracia. Sem isso, não dá para acreditar que os países europeus são “benevolentes”, porque não foram no passado nenhum pouco.

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      1. Caríssima,

        Portugal foi colonizado por fenícios, romanos, árabes e espanhóis e, ainda, destruído e ocupado por franceses. Longe de mim culpar Júlio César, os Filipes de Espanha ou Napoleão do actual estado português. Nada disso, culpo os portugueses de hoje se o amanhã não for bom. É um erro histórico ficar olhando para trás, esperando que alguém mais para além de nós banque nosso futuro.

        Mais, enquanto português, não denego a passada participação portuguesa no fenómeno esclavagista. Assumo-o, ainda que com tristeza, tal como assumo, desta vez com orgulho, que Portugal foi o primeiro país do mundo a abolir legalmente a escravatura. Assumo igualmente que Portugal explorou as terras brasileiras desde 1500 até ao Grito do Ipiranga de 1822, altura em que um rei português concedeu a independência que os brasileiros tanto almejavam para tornar o reino do Brasil um país mais justo. Conseguiram-no? Não sei… Só sei que o Brasil continua sendo um país cheio de recursos naturais, desde alimentares a energéticos. Logo, ficou o Brasil esgotado de riquezas? Não me parece…

        Longe de mim provocar, mas pergunto: que valor a população ameríndia daria ao ouro sem a expansão portuguesa (ou outra inevitável expansão de outro povo qualquer). Que plantações de cana-de-açúcar ou cacau existiriam para manter a economia à data da independência? Seriam os brasileiros brasileiros sem os trezentos anos de ocupação portuguesa? São apenas perguntas que visam pragmaticamente (e longe de moralidades que não existiam em 1822) demonstrar que o Portugal da altura era apenas mais um estado como tantos outros que investiram no desenvolvimento das colónias, investimento esse pago por tributos portugueses no princípio, e colheram o mesmo investimento das referidas colónias durante quase trezentos anos.

        Quanto ao roubo de tesouros (e remetendo-me ao silêncio quanto à comparação, certamente sem querer, que fez entre Portugal e a Alemanha Nazi), importa dizer que talvez se tenham perdido mais tesouros da História de Portugal com o incêndio do Museu Nacional do Rio de Janeiro do que propriamente tesouros da História do Brasil.

        Portanto, olhemos para o passado apenas para aprender, não para julgar e muito menos para cobrar.

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  2. é claro que ficar culpando o passado não leva a nada, que temos que trabalhar daqui para frente, mas lembrar a história é importante também para se entender o presente. Concordo com a contribuição de Portugal ao Brasil, é inegável. O que eu questiono, e é a minha visão de vida: e o respeito às culturas locais? A minha cultura é melhor que a sua? Ninguém perguntou a eles se eles queriam ser colonizados. Houve muita morte e escravidão na história do Brasil e isso fica no inconsciente coletivo, a falta de autoestima do brasileiro não é à toa. É preciso entender o que aconteceu para mudar essa realidade. Mas que dá raiva, dá, não minto, porque o Brasil foi explorado e as nossas riquezas não ficaram aqui. Ouro quase não existe mais tanta minas. Temos outras riquezas naturais, algumas intactas até. É fato que os governantes não as valorizam, não administram bem. O brasileiro foi acostumado a gostar do que é externo, para ele, tudo que vem de fora é melhor. Se eu não valorizo quem eu sou, o meu país, por que vou investir aqui, batalhar para melhorar a situação? Melhor ir para a Europa, porque lá eles tem isso, eles tem aquilo (e eu também tenho vontade de ir para a Europa, ainda mais na iminência de Bolsonaro ganhar, não vou negar).
    O que quero dizer é que nenhum país é melhor que o outro. A melhor cultura é a da paz.

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